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O que a Anvisa proíbe em alisante, e como reconhecer um produto irregular

A lista de proibições é curta e clara. O problema é que ela quase nunca chega a quem está sentada na cadeira, com o produto já no cabelo.

Prancha alisando uma mecha de cabelo em um salão, com vapor subindo do aparelho.
A pergunta certa é feita antes de o produto encostar no fio. Foto: Acervo WONDERFUL LIFE

Toda vez que a Anvisa volta ao assunto, a notícia circula por alguns dias e some. Enquanto isso, o produto continua sendo aplicado em salão, em casa e em conta de rede social, com nomes que mudam mais rápido do que a fiscalização.

Vale então escrever a regra de forma direta, para ficar guardada.

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O que a norma diz

O formol tem uso permitido em cosméticos, mas apenas em duas situações e em concentrações baixas:

  • Como conservante, em concentração máxima de 0,2%.
  • Como endurecedor de unhas, até 5%.

Como alisante capilar, o formol é proibido. A Anvisa classifica esse uso como de alto risco à saúde.

A agência também vetou o ácido glioxílico para alisamento. Ele passou anos sendo vendido como a alternativa moderna e segura ao formol, inclusive em produtos anunciados como “livres de formol” — o que era tecnicamente verdade e praticamente irrelevante.

Segundo a Anvisa, o ácido glioxílico se torna ainda mais perigoso quando aquecido, especialmente em procedimentos combinados com descoloração, podendo levar à queda definitiva dos cabelos. Como praticamente todo alisamento envolve chapinha, o aquecimento não é exceção: é o procedimento.

Não é só irregular. Pode ser crime

Esta é a parte que costuma surpreender. A Anvisa trata a adição de formol a cosméticos como infração sanitária grave, e registra que a conduta pode configurar crime previsto no artigo 273 do Código Penal — o que trata de falsificar, corromper ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

A posição foi reiterada no Informe de Segurança GGMON 03/2025, divulgado em julho de 2025. Ou seja: quem mistura formol no produto não está apenas desrespeitando uma norma técnica.

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Como reconhecer um produto irregular

  1. Sem registro ou notificação na Anvisa. Todo cosmético vendido legalmente tem. Produto em embalagem genérica, sem rótulo completo, sem lote e sem validade está fora da regra antes de qualquer discussão química.
  2. Vendido fracionado. Produto transferido para outro frasco no salão ou comprado “em galão” não tem como ser rastreado.
  3. Ardência imediata nos olhos e na garganta. Formol irrita mucosa em concentração baixa. Se todos no salão começam a lacrimejar e tossir quando a chapinha passa, isso não é cheiro forte de produto: é vapor irritante.
  4. Promessa incompatível. Alisamento total, imediato e permanente em cabelo muito crespo, com produto de aplicação rápida, raramente se sustenta dentro do que é permitido.
  5. “Livre de formol” sem dizer o que tem. A frase não informa nada sozinha. Pergunte qual é o ativo alisante, pelo nome.

O que perguntar antes de sentar na cadeira

Três perguntas, feitas sem constrangimento, resolvem a maior parte dos casos. Qual o nome comercial do produto. Se pode ver a embalagem original e o rótulo. Qual o ativo responsável pelo alisamento.

Um profissional que trabalha dentro da norma responde às três sem hesitar, e muitos mostram a embalagem por iniciativa própria. Desconversa, irritação com a pergunta ou “é fórmula da casa” são respostas suficientes para você se levantar.

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Sinais de exposição durante o procedimento

Ardência intensa nos olhos, tosse, falta de ar, dor de cabeça forte, náusea e queimação no couro cabeludo não são parte normal de um alisamento. Se aparecerem, o procedimento deve ser interrompido e o produto retirado com água corrente.

Exposição repetida é preocupação tanto de quem faz quanto de quem aplica — profissionais de salão passam horas por dia nesse ambiente, muitas vezes sem ventilação adequada.

Denúncias de produto irregular podem ser feitas à vigilância sanitária do seu município ou pelos canais da Anvisa. Guardar foto do rótulo e a nota do serviço ajuda.

Este texto é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição. Procure um profissional habilitado.

O essencial

  • Em cosmético, o formol só é permitido como conservante até 0,2% e como endurecedor de unha até 5%.
  • Como alisante, é proibido e classificado pela Anvisa como de alto risco à saúde.
  • O ácido glioxílico também está proibido para alisamento.
  • Aquecer o produto ou combinar com descoloração agrava o risco, podendo levar à queda definitiva.
  • Adicionar formol a cosmético é infração sanitária grave e pode configurar crime, segundo a agência.

Fontes

  • Agência Brasil · alerta da Anvisa sobre formol em alisantes
  • LexLegal · Informe de Segurança GGMON 03/2025 e enquadramento penal
  • Agora RN · proibição do ácido glioxílico
  • Capital News · riscos descritos pela agência
  • A União · reforço da proibição

Redação WONDERFUL LIFE

Esta matéria foi produzida pela redação da WONDERFUL LIFE a partir das fontes públicas listadas acima. Não testamos produtos em laboratório, não recebemos pagamento de marcas para citá-las e não usamos links de afiliado. Quando erramos, corrigimos à vista, com nota ao pé do texto. O processo está descrito em Quem somos.

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